Blog do InJQ

Buscar
  • Dr.ª Ritele Hernandez da Silva

Cetamina: evidências e perspectivas de tratamento para depressão resistente


Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 300 milhões de pessoas vivem com depressão, sendo considerada a principal causa de problemas de saúde e incapacidade em todo o mundo.

Os tratamentos disponíveis, tanto medicamentosos como psicoterapias de várias linhas, auxiliam grandemente no combate ao transtorno. Porém, uma parte significativa dos pacientes não responde adequadamente ao arsenal disponível.

Para esses indivíduos, se faz necessária a busca de outros recursos, tais como a associação de medicações, ou de técnicas, tais como eletroconvulsoterapia e estimulação magnética transcraniana.

Outra alternativa é o uso de medicações que apresentam efeito antidepressivo, mas que não são comercializadas com esse fim. Um exemplo de medicamento com essa característica é a Cetamina.

A Cetamina é um anestésico, que surgiu na década de 60, mas que recentemente vem chamando atenção da comunidade científica. Isso porque pesquisadores renomados perceberam que seu uso em doses sub-anestésicas poderia desencadear uma melhora rápida nos sintomas depressivos e ideação suicida.

No entanto, esses efeitos não se sustentariam por muito tempo, sugerindo que reaplicações sejam necessárias. Desde então, vários estudos vêm sendo realizados para elucidar tanto o mecanismo de ação da droga, como sua segurança ao longo do tempo.

Essa medicação apresenta uma forma de ação distinta dos antidepressivos clássicos, atuando sobre o principal neurotransmissor excitatório cerebral: o Glutamato.

Sabe-se, porém, que o antagonismo de seu receptor seria apenas o início de sua ação, que desencadearia uma cascata de acontecimentos a nível celular ocasionando uma melhor resposta sináptica, culminando por sua vez em uma resposta antidepressiva mais rápida, mas não tão duradoura.

Os estudos têm demonstrado que a resposta antidepressiva da medicação pode atingir até 70% dos indivíduos que se submetem ao tratamento "off label", termo utilizado quando se utiliza uma medicação sem indicação clara para esse fim. Além de a resposta não ser sustentada, alguns efeitos colaterais podem ocorrer, como hipertensão, taquicardia, sintomas dissociativos e urinários. Entretanto, geralmente são limitados ao período de tratamento.

De qualquer forma, os estudos clínicos e pré-clínicos vêm demonstrando que a cetamina representa uma possibilidade e promessa para os pacientes com quadros depressivos resistentes ao tratamento, trazendo uma esperança para um transtorno grave e incapacitante.

Ritele Hernandez da Silva

Médica Psiquiatra

CRM-SC 11.444 | RQE 11.334

ritele.silva@injq.com.br

Destaques
Mais Recentes
Biblioteca

INSTITUTO DE NEUROCIÊNCIAS DR. JOÃO QUEVEDO

NEUROCIÊNCIA, PSIQUIATRIA E ENSINO PARA VIVER MELHOR

Ligue  0800-006-2307 | contato@injq.com.br

 

PSIQUIATRIA | NEUROLOGIA | DEPENDÊNCIA QUÍMICA  

CONSULTAS | ATENDIMENTO DOMICILIAR | INTERNAÇÃO

CRIANÇAS E ADOLESCENTES | ADULTOS | IDOSOS

  • Instagram Instituto João Quevedo
  • Facebook Instituto João Quevedo

Acompanhe as novidades

nas mídias sociais.

Diretora Técnica Médica (Criciúma):

Drª. Kelen Cancellier Cechinel Recco

CRM-SC 13.394 | RQE 10.277

Diretora Técnica Médica (Araranguá):

Drª. Ritele Hernandez da Silva

CRM-SC 11.444 | RQE 11.334

Diretor Técnico Médico (Turvo):

Dr. Rafael Arceno

CRM-SC 18.994 | RQE 14.708