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Prevenindo acidentes na infância


Nesta época de férias escolares, é muito comum ouvir que toda a criança vive se machucando. A expressão tão corriqueiramente utilizada reflete a crença popular de que a criança que brinca bastante normalmente está sujeita a sofrer acidentes.

Na verdade, longe de serem naturais, eventos traumáticos constituem um sério problema de saúde pública e, em nosso país, causam mais mortes de crianças e adolescentes do que todas as principais doenças juntas.

No imaginário popular, os danos sofridos pelas crianças são considerados acidentes, porém quando se parte do pressuposto de que a maioria dos traumas é previsível, não se pode considerar mera fatalidade; afinal, tudo o que é previsível pode e deve ser prevenido.

A neuropediatria pode auxiliar muito na prevenção dos acidentes domésticos porque entende que criança é um ser imaturo, inquieto e curioso e adquire suas capacidades gradualmente, desbravando o mundo aos poucos, de baixo para cima, do pé da mesa ao parapeito das janelas.

O texto abaixo lista os principais acidentes relacionados ao primeiro ano de vida e algumas dicas de como evitar eventos traumáticos.

Primeiro mês de vida:

Quedas: Nunca deixe o bebê sozinho em lugares altos. Cestos muito maleáveis podem permitir que o bebê escorregue para fora.

Queimaduras: A água do banho deve ser testada (com o cotovelo – que tem mais sensibilidade ao calor), bem como deve ser testada a temperatura do leite.

Intoxicações: O metabolismo do bebê ainda não está completamente desenvolvido e ele apresenta menor barreira de proteção ao sistema nervoso central. Medicamentos devem ser administrados com extrema cautela e sempre sob orientação médica.

Aspiração de corpo estranho e asfixia: Nessa fase do desenvolvimento, tudo que é levado à boca da criança é engolido. Nos primeiros meses de vida é comum que o bebê regurgite após as mamadas, assim, deve-se sempre deixá-lo de lado com a cabeça e o tronco elevados para evitar engasgos. Deve ser evitado o uso de talco que pode ser inalado. Edredons exagerados, travesseiros, fraldas e brinquedos soltos no berço oferecem riscos de sufocamento.

Segundo mês de vida:

Já sustenta a cabeça, fixa o olhar nos olhos e no rosto dos adultos, sorri, interage a fala dirigida a ele e dá muita atenção a objetos. Móbiles coloridos e pesados colocados sobre o berço e não fixados adequadamente podem cair sobre o bebê.

Terceiro mês de vida:

A criança leva as mãos à boca, suga com muita voracidade e baba muito. Pulseiras, medalhas, broches colocados nos pulsos da criança podem ser engolidos ou arranhar o rosto e os lábios do bebê.

Quarto mês de vida:

Nessa fase, o bebê já aprendeu a rolar, a se virar sozinho, a manter-se sentado por poucos instantes e a levar tudo à boca.

Existe sempre o risco de quedas do carrinho e do trocador, sendo extremamente necessário o uso de cintos de segurança. No berço, a criança passa a se movimentar constantemente e tenta introduzir a cabeça ou os membros nos vãos das grades. Assim, a distância entre as barras deve ser menor que 6 cm.

Quinto mês de vida:

Nessa fase, senta-se com apoio, mas ainda tomba para frente e para os lados, sendo necessário um lugar seguro e com supervisão constante.

Sexto mês de vida:

O bebê começa a sentar, rolar, virar de bruços e apoiar-se nas mãos. Arrasta-se para pegar o que deseja e puxa tudo o que encontra ao seu alcance. Assim, ele pode se machucar com objetos pesados que caiam sobre ele ou queimar-se com líquidos quentes sobre uma mesa. A mãe nunca deve cozinhar enquanto estiver com o bebê ao colo.

Segundo semestre de vida:

No segundo semestre de vida ocorre um aumento significativo dos movimentos e do campo de ação da criança. Aos 9 meses, o bebê já tenta pôr-se em pé, engatinha aos 10 meses de idade e geralmente, no primeiro ano de vida está caminhando.

Os principais riscos físicos ainda permanecem os mesmos do primeiro semestre de vida, porém necessitam de cuidados ainda mais intensivos.

- Aspiração, ingestão ou sufocação por corpo estranho: caroços, grãos, botões e brinquedos podem ser engolidos ou introduzidos no nariz e no ouvido.

- Quedas e contusões: do colo, trocador, berço, bebê-conforto, cadeirinha, carro ou ao engatinhar e andar. Vale a pena citar ainda que os andadores são totalmente contraindicados porque interferem no processo de aprendizagem natural do andar e podem provocar lesões ósseas.

- Queimaduras: temperatura da água no banho, líquidos na mamadeira ou derramados sobre a criança, cigarros, fósforos, tampa do forno. A dica é para que as panelas sempre estejam nos queimadores posteriores, com cabos voltados para dentro.

- Choques elétricos: dedo em tomadas ou fios descascados. Deve sempre haver protetores para as tomadas que não estiverem sendo utilizadas. Dê preferência à protetores de cores neutras que não despertem o interesse da criança.

Conhecer o desenvolvimento infantil em cada etapa é nossa contribuição como neuropediatras aos pais. Estamos sempre à disposição para prevenir acidentes domésticos.

Dr. Jaime Lin CRM/SC 11401 Especialista em Pediatria – RQE 8287 Especialista em Neurologia Pediátrica – RQE 8330

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