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Miastenia Gravis


A miastenia gravis (MG) é uma doença auto-imune, relativamente rara, acometendo cerca de 20 em 100.000 pessoas. A transmissão neuromuscular é afetada, ocasionando fraqueza muscular. Na maioria dos casos, o sistema imune acaba produzindo anticorpos contra o receptor de acetilcolina localizado na junção neuromuscular, entre os nervos e os músculos esqueléticos, fazendo com que os músculos não consigam desempenhar toda a sua função e acabem ficando fracos quando seria necessário que fizessem força.

A fraqueza muscular característica da doença é flutuante, o que significa que a fraqueza oscila, aumenta e diminui conforme é realizado esforço muscular e repouso. Pode ocorrer na musculatura dos olhos (ocasionando visão dupla), da faringe (podendo ficar difícil para engolir ou falar), nos músculos do tronco e dos membros.

Como auxílio no diagnóstico, é solicitado a dosagem de auto-anticorpos contra o receptor da acetilcolina, que é positiva em cerca de 80-85% dos casos. Quando negativo, podemos solicitar outros auto-anticorpos. Estudos eletrofisiológicos, obtidos através da eletroneuromiografia, são realizados para confirmar um defeito na transmissão neuromuscular e também para excluir outras doenças da unidade motora. Além desses exames, a tomografia computadorizada de tórax deve ser solicitada para excluir a presença de timoma, um tipo de tumor que pode ocorrer em paciente portadores de MG.

Realizado o diagnóstico, as decisões de tratamento são individualizadas com base na gravidade da MG e em outras doenças coexistentes. É também importante orientar o paciente a evitar medicamentos que podem exacerbar os sintomas em quem possui a MG.

O objetivo principal do tratamento da MG é induzir e manter a doença estabilizada, sem sintomas ou com o mínimo possível, além de minimizar os efeitos adversos da terapia.

O tratamento medicamentoso, geralmente inicia-se com medicações chamadas inibidores da colinesterase, que é a enzima que degrada a acetilcolina, desta forma, ao inibirem essa enzima, fazem sobrar mais neurotransmissor acetilcolina na junção neuromuscular,

melhorando os sintomas. A maioria dos pacientes necessitará de terapia imune-dirigida, realizada com medicamentos chamados corticosteroides e com outras medicações poupadores de corticoides. Alem de tais tratamentos, quando ocorrem piora dos sintomas, quando os mesmos se agravam, podem ser realizados outros tratamentos como a plasmaférese, que filtra o sangue retirando os auto-anticorpos, e a imunoglobulina intravenosa, que bloqueia os mesmos.

Dra Amanda Bittencourt

CRM SC 19987

Médica neurologista - RQE 14929

amanda.bittencourt@injq.com.br

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