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  • Dr.ª Ritele Hernandez da Silva

Cetamina e as novas perspectivas para transtornos depressivos


O Transtorno Depressivo Resistente (TDR) é um desafio frequente na Psiquiatria. Ao longo do tempo, diversas alternativas para o tratamento da doença têm sido propostas com respostas interessantes. Nesse cenário, a cetamina está se configurando como uma possibilidade de terapia com resultados importantes, sendo alvo de vários estudos clínicos e pré-clínicos nos últimos anos.

Além da melhora da qualidade de vida, com resposta satisfatória em 70% dos pacientes submetidos ao tratamento como mostram as pesquisas mais recentes, a droga possibilitou a ampliação do entendimento da fisiopatologia do Transtorno Depressivo Maior. Isso acontece porque seu mecanismo de ação não é diretamente serotoninérgico, o que indica o envolvimento de outros sistemas na instalação e manutenção dos sintomas depressivos.

Dentre esses sistemas, destaca-se o glutamatérgico – uma vez que a cetamina apresenta relação imediata com receptores NMDA (N-metil D-aspartato), atuando como antagonista e diminuindo assim a excitotoxicidade desencadeada pelo excesso glutamatérgico.

Essa atividade é algo que vem sendo sugerido por estudos mais novos, nos quais o estresse seria responsável por provocar uma resposta inflamatória de baixo grau a nível de sistema nervoso central por meio da ativação de células microgliais, também responsáveis pela regulação glutamatérgica. Dessa forma, as células ocasionam um “ambiente” de excesso glutamatérgico, que nessa condição apresenta efeito deletério, com diminuição inclusive dos níveis serotoninérgicos.

Além disso, o fármaco apresenta ação sobre outros receptores glutamatérgicos, como o AMPA que, em última análise, estaria ligado diretamente à neuroplasticidade. Provavelmente, também esteja incluído na rápida resposta da cetamina em comparação aos antidepressivos clássicos.

O medicamento vem sendo empregado sob várias formas. Nas infusões intravenosas são realizadas em média 12 aplicações, com frequência semanal, sendo duas aplicações nas primeiras semanas de tratamento. Doses subanestésicas que podem variar conforme a resposta do paciente, feitas em ambiente onde os sinais vitais possam ser monitorados e qualquer alteração possa ser atendida. Os efeitos colaterais, quando ocorrem, relacionam-se a sintomas dissociativos e alterações autonômicas. De forma geral não são graves e estão limitados ao período da infusão.

Sem sombra de dúvidas, a cetamina lançou novas possibilidades no tratamento do TDR, ampliando o leque de conhecimento sobre a fisiopatologia do transtorno e abrindo caminho para opções com mecanismo de ação semelhantes.

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