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  • Dr.ª Simone Lespinasse Araujo

Transtornos alimentares: anorexia, bulimina e compulsão alimentar


Os transtornos alimentares são cada vez mais foco da atenção dos profissionais da área da saúde por apresentarem significativos graus de morbidade e mortalidade.

Estes transtornos ocorrem geralmente entre mulheres no final da adolescência e nas adultas jovens, com uma proporção homem-mulher de 1:10 e até de 1:20 (Klein e Walsh, 2004).

Os transtornos alimentares com frequência estão associados a algum outro transtorno psiquiátrico, tais como distimia, depressão, ansiedade, transtorno obsessivo compulsivo e até mesmo o abuso de álcool e outras drogas.

Entre os transtornos da alimentação, a anorexia nervosa, a bulimia nervosa e o transtorno de compulsão alimentar têm recebido grande atenção nas pesquisas nas últimas décadas.

Anorexia Nervosa (AN)

A anorexia nervosa caracteriza-se por perda de peso intensa e intencional às expensas de dietas extremamente rígidas com uma busca desenfreada pela magreza.

Nielsen, em extensa revisão de estudos epidemiológicos, estima que, entre mulheres, a incidência de AN seja de aproximadamente 8 por 100 mil indivíduos e, em homens, seria de menos de 0,5 por 100 mil indivíduos por ano.

A AN possui três características essenciais:

  • Restrição persistente da ingestão calórica. A pessoa mantém um peso corporal abaixo daquele minimamente normal para idade, gênero, trajetória do desenvolvimento e saúde física;

  • Medo intenso de ganhar peso ou de engordar, ou apresentar um comportamento persistente que interfira no ganho de peso. O medo intenso de não engordar não costuma ser aliviado pela perda de peso. Na verdade, a preocupação acerca do peso pode aumentar até mesmo se o peso diminuir;

  • Perturbação na percepção do próprio peso ou própria forma. Algumas pessoas sentem-se completamente acima do peso. Outras percebem que estão magras, mas ainda assim se preocupam com determinadas partes do corpo, em particular o abdômen, os glúteos e o quadril que estariam "gordos demais".

A autoestima das pessoas com anorexia nervosa é altamente dependente de suas percepções da forma e do peso corporal.

Indivíduos com anorexia nervosa podem apresentar várias limitações funcionais associadas ao transtorno. Alguns permanecem ativos no funcionamento social e profissional, outros podem ter um isolamento social significativo e/ou fracasso em atingir o nível acadêmico ou profissional potencial.

Bulimia Nervosa (BN)

Bulimia é um distúrbio que se caracteriza por episódios recorrentes e incontroláveis de consumo de grandes quantidades de alimentos, geralmente com alto teor calórico.

A preocupação excessiva com o peso e a imagem corporal levam o paciente a métodos compensatórios inadequados para o controle de peso.

A incidência de BN é de 13 por 100 mil indivíduos por ano com uma proporção homem-mulher aproximadamente de 1:10.

A BN também apresenta três aspectos essenciais:

  • Compulsão alimentar, que se caracteriza como a ingestão, em um período de tempo determinado, de uma quantidade de alimento definitivamente maior do que a maioria das pessoas comeria em uma situação semelhante, acompanhada pela sensação de perda de controle. A compulsão alimentar frequentemente ocorre após ou durante um episódio de dieta para perder peso;

  • Comportamentos compensatórios inapropriados repetitivos para evitar ganho de peso, como a indução de vômito, uso indevido de laxantes e diuréticos, além de jejuar por um ou mais dias ou se exercitar excessivamente;

  • Autoavaliação indevidamente influenciada por forma e peso corporais e a valorização do corpo magro como ideal máximo de beleza.

Os indivíduos com bulimia em geral sentem vergonha de seus problemas alimentares e tentam esconder os sintomas, e os episódios de compulsão alimentar ocorrem em segredo ou da maneira mais discreta possível.

Transtorno de Compulsão Alimentar

Este transtorno é caracterizado por comer muito mais rapidamente do que o normal até se sentir desconfortavelmente satisfeito, sem a sensação física de fome.

Os indivíduos com este transtorno preferem se alimentar sozinhos por vergonha do quanto comem e por sentirem-se desgostoso de si mesmos, deprimidos ou muito culpados em seguida.

O fator desencadeante mais comum da compulsão alimentar é uma situação vivenciada pela pessoa que lhe gere um afeto ruim, além de estressores interpessoais, restrições dietéticas, sentimentos negativos relacionados ao peso corporal, à forma do corpo e ao alimento e tédio.

O transtorno de compulsão alimentar está associado a diversos problemas no desempenho de papéis sociais, prejuízo na qualidade de vida e satisfação com a vida relacionada à saúde e um risco maior de ganho de peso e desenvolvimento de obesidade.

Tratamentos

O tratamento dos transtornos alimentares exige acompanhamento de equipe multidisciplinar composta por médicos psiquiatra e clínico, psicólogo e nutricionista.

Diversas classes de medicamentos podem ser utilizadas, especialmente se ocorrerem outros distúrbios associados, tais como depressão ou transtorno bipolar. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) tem mostrado bons resultados a longo prazo.

Geralmente a pessoa que apresenta um transtorno alimentar tem muita dificuldade em aceitar o problema e, quando aceita, demora ou nem procura ajuda especializada. Assim, o papel da família é fundamental tanto na identificação do transtorno quanto no seu tratamento.

Portanto, na suspeita de um transtorno da alimentação, converse com o seu médico, procure ajuda, pois você não precisa enfrentar este problema sozinho: há tratamento.

Drª. Simone Lespinasse Araujo

Médica Psiquiatra e Clínica

CRM-SC 23.292 | RQE 14.086 e 14.087

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