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  • Dr. Gustavo Feier

Burnout na pandemia: o esgotamento dos profissionais de Saúde

A pandemia de Covid-19 provocada pelo coronavírus está deixando os profissionais da Saúde ainda mais exaustos, levando muitos ao esgotamento físico e mental e até à idealização suicida, caracterizando a Síndrome de Burnout.



A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou dados sobre um questionário aplicado aos profissionais da Saúde sobre suas condições de vida e trabalho durante a pandemia de coronavírus no Brasil.


O levantamento contou com a participação de aproximadamente 16 mil pessoas, divididos majoritariamente em enfermeiros, médicos, fisioterapeutas, odontólogos e farmacêuticos.


Os números revelam sinais de sobrecarga e esgotamento físico e mental, além de sentimentos como desrespeito e desvalorização.


Quando questionados sobre as mudanças em seus ritmos diários, cerca de 22% estão trabalhando esgotados, quase 16% passaram a ter o sono perturbado, mais de 13% mencionaram irritabilidade e choro frequente, e 1 em cada 10 disseram estar estressados, com incapacidade de relaxar.


Também foram citadas, de forma bastante significativa, a dificuldade de concentração, tristeza diante da profissão, pensamentos negativos e de suicídio.


Além dos fatos que aparecem com a sobrecarga no trabalho e o cenário lamentável, os profissionais não se sentem respeitados e protegidos. Eles declararam desapoio e desvalorização por parte das instituições e chefes, violência e descriminação dentro do ambiente de trabalho e pela vizinhança.


Ainda, manifestaram o medo e sentimento de desproteção pela falta de estrutura e equipamentos adequados para o enfrentamento da situação atual, junto à insensibilidade dos gestores para suprir necessidades.


No que diz respeito à população, a maior parte dos profissionais não se sentiu valorizada durante a pandemia. 90% deles viu como obstáculo no combate a Covid-19 a disseminação de notícias falsas, sendo que 3 em cada 4 atenderam pacientes que acreditavam nelas. Também, 70% revelou desagrado sobre o posicionamento das autoridades em relação ao panorama enfrentado.


Como afirmou a coordenadora do estudo da Fiocruz, Maria Helena Machado, o momento em que se vive evidenciou a importância dos atendimentos em saúde, dos sistemas que os conduzem e das pessoas que os fazem, entretanto, nada disso é devidamente considerado.


A situação da saúde mental e física e do alicerce estrutural dentro do espaço de serviço se agravou. Antes da pandemia, já não era ideal, visto que os profissionais da saúde já tinham mais que o dobro da porcentagem de diagnóstico de algum transtorno mental em comparação ao restante da população brasileira, por exemplo.


As horas extenuantes de trabalho e a necessidade essencial de distanciamento social, geram certa impossibilidade de realizar muitas das atividades que ajudam a prevenir e a tratar os transtornos mentais, como a prática de muitas atividades físicas e o convívio com círculos de amizade.


Por isso, insistir em hábitos e alimentação saudável como pode, buscar assuntos fora do expediente e principalmente ter ajuda de profissional é imprescindível neste momento.


Importante: não divulgar falsas notícias, buscar fontes confiáveis para se informar e enfrentar as medidas de contenção ao vírus com verdade atenuariam muito o caos da pandemia e os números excruciantes sobre a saúde dessas pessoas.


Cuidado com quem cuida de nós.


Gustavo Feier

Médico Psiquiatra

CRM-SC 14.317 | RQE 18.994

Colaboração: Maria Eduarda Mendes Botelho

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