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  • Dr.ª Kelen Cancellier Cechinel Recco

Como a Cetamina age contra a Depressão Resistente?

A Cetamina é uma medicação que tem ação antidepressiva que mais traz esperança para os pacientes que sofrem de Depressão Resistente ao Tratamento. Entenda como ela funciona nos neurotransmissores para devolver a qualidade de vida às pessoas.



A depressão é uma doença bastante complexa. Há muitas décadas, cientistas e médicos buscam conhecê-la totalmente. Alguns mecanismos envolvidos foram descritos, mas, até o momento, nenhuma teoria foi capaz de explicar toda a sua gênese. Por isso, acredita-se que a causa seja multifatorial, isto é, pela associação de diversos fatores, como a genética, o ambiente e as atividades das células.


Uma das alterações demonstradas nos estudos é sobre a transmissão do glutamato, neurotransmissor mais abundante do cérebro, envolvido em funções excitatórias do órgão. Partindo disso, vários pesquisadores viram a cetamina como um potencial antidepressivo.


A cetamina age sobre os locais que recebem o neurotransmissor, atuando como oponente dele. Isso faz com que haja respostas intracelulares que regulem as sinapses do sistema nervoso, diminuindo a neuroinflamação e equilibrando os mecanismos envolvidos na produção de energia dessas células.


A medicação já era usada e aprovada no Brasil para uso na anestesia e analgesia há mais de 50 anos. Em novembro do ano passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a escetamina intranasal para uso na psiquiatria para o tratamento do transtorno de humor.


Nessas doses menores, ela não tem efeito sedativo, mas funciona como antidepressivo. Nas pesquisas, o foco é principalmente sobre aqueles pacientes com depressão resistente, ou seja, aqueles que não respondem à terapia convencional, e sobre pessoas com ideação suicida. A maior parte deles tiveram êxito no uso desse fármaco. Ela também é indicada em alguns casos de Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) e Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).


Outro fato que muda o cenário da doença é a rápida resposta clínica que a medicação permite quando comparada a outros antidepressivos. Alguns indivíduos relatam melhora dentro de horas após a administração da cetamina, outros, precisam de algumas semanas, visto que cada organismo trabalha de uma maneira.


As evidências mais aceitas usam a cetamina intravenosa. Ainda não há estudos suficientes que apoiem o uso da substância por outras vias de administração. A recomendação é de que o uso seja feito em ambientes com equipe especializada, para que haja monitoramento dos sinais vitais e também de possíveis efeitos psiquiátricos e neurológicos.


Mesmo trazendo muita esperança e ânimo no tratamento para a depressão, a indicação de uso deve ser criteriosamente avaliada por um especialista. Seu uso sem supervisão médica traz riscos graves, até mesmo o óbito.


Procure apoio médico especializado. Cuide da sua saúde.

Kelen Cancellier Cechinel Recco

Médica Psiquiatra

CRM-SC 13.394 | RQE 10.277


Colaboração: Maria Eduarda Mendes Botelho

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