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  • Dr.ª Ritele Hernandez da Silva

Covid no cérebro? Estudo explica a neuroinflamação sem coronavírus

Um estudo investigou a suposta presença de coronavírus no cérebro, mas o que descobriram foi que havia uma "imitação" da inflamação celular do Sars-CoV-2 que causa degeneração neurológica.



Coronavírus no cérebro?


Apesar de o vírus Sars-CoV-2 ter como principal alvo o sistema respiratório, sintomas neurológicos foram observados durante a infecção e/ou após ela, como a anosmia (perda de olfato), a cefaleia (dor de cabeça), a dificuldade de concentração e as alterações de memória.


Alguns estudos apontaram que havia presença do vírus no cérebro e que isso poderia ser o motivo do surgimento dos sintomas neurológicos. Entretanto, um recente estudo publicado na revista Nature, não encontrou material genético do coronavírus, o que poderia indicar invasão local.


Segundo os pesquisadores responsáveis, liderados por Tony Wyss-Coray, da Universidade Stanford (EUA), e Andreas Keller, da Universidade do Sarre (Alemanha), o que acontece na verdade é uma transmissão de sinais inflamatórios para as células cerebrais (microglia, astrócitos e neurônios).


Esses sinais acabam se modificando e assumindo padrões genéticos similares aos vistos em doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer, prejudicando a estrutura cerebral e as neurotransmissões.


Mesma neuroinflamação, mas sem coronavírus


A chegada dos sinais para essa resposta inflamatória parece vir da barreira hematoencefálica (uma estrutura que seleciona o que entra no sistema nervoso) e pelo plexo coróide (responsável por secretar um líquido que mantém a integridade do cérebro).


Os cientistas analisaram partes do cérebro de pessoas que faleceram por causa da Covid-19 grave, compararando-as com os de pessoas que morreram por outros motivos.


Os pesquisadores usaram anticorpos para detectarem a presença de proteínas virais, além de analisarem alterações do transcriptoma (informações genéticas) como meio de visualizar a expressão dos genes.


Eles puderam observar neuroinflamação sem presença do vírus nas estruturas avaliadas, mesmo naqueles pacientes que durante a internação hospitalar não tiveram sintomas neurológicos.


Mesmo que o estudo seja de alta confiança, os autores consideram que existem limitações, como a possibilidade da invasão pelo vírus ter sido eliminada antes das análises ocorrerem, além da escassez de tecidos cerebrais de qualidade disponíveis para esse tipo de pesquisa.


Prevenção ainda é a melhor ciência


Existem diversas teorias a respeito de infecções virais agudas que geram neuroinflamação crônica e que precederam doenças neuropsiquiátricas. Além disso, ainda há necessidade de mais clareza sobre os desfechos futuros da Covid-19.


Por isso, é importante se manter em segurança e buscar profissionais competentes e meios confiáveis em caso de dúvidas e necessidade de assistência.

Ritele Hernandez da Silva

Diretora Técnica Médica do InJQ - Unidade Araranguá (SC)

Médica Psiquiatra

CRM-SC 11.444 | RQE 11.334

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