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  • Dr. Roberto Alves de Oliveira

Drogas psicodélicas no tratamento de transtornos mentais

Drogas psicodélicas são substâncias naturais ou sintéticas capazes de produzir efeitos alucinógenos, mas a ciência tem encontrado resultados positivos no tratamento experimental de alguns transtornos mentais.



Desafios neurológicos


A ciência já observou a existência de uma desregulação de neurotransmissores (moléculas que funcionam como mensageiros, que levam informações de um neurônio a outro) em muitos transtornos mentais, além de mudança de níveis hormonais, alterações de células do sistema nervoso e a resposta do sistema imunológico, com significativa influência da genética.


Mesmo com tantos avanços científicos, alguns transtornos ainda não são conhecidos totalmente. Por isso, é bastante complexo encontrar terapias que sejam eficazes em todos os casos. Os pesquisadores buscam soluções por meio de experimentos com substâncias que atuariam nos locais afetados pelos transtornos mentais, principalmente no cérebro.


Drogas psicodélicas


Em meados do século XX, um dos grupos de substâncias estudado era formado pelas drogas psicodélicas, ou seja, que produz efeitos alucinógenos.


Recentemente, houve uma retomada de estudos sobre elas como possíveis aliadas no tratamento de:


  • dependência química

  • Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT)

  • depressão

  • e ansiedade.


Tipos de alucinógenos


Dentre os psicodélicos naturais (aqueles produzidas espontaneamente pela natureza), podemos citar:


  • a psilocibina, encontrada em cogumelos;

  • a ibogaína, encontrada em raízes;

  • e a dimetiltriptamina (DMT), encontrado em ervas.


Dentre os psicodélicos sintéticos (aqueles produzidos artificialmente por seres humanos por meio de compostos químicos), temos como exemplo:


  • a dietilamida do ácido lisérgico (LSD);

  • e metilenodioximetanfetamina (MDMA).


Resultados positivos


Cada psicodélico atua de uma forma, seja com o potencial de aumentar produção de neurotransmissores, de diminuir neuroinflamação e ou de regular fatores de sobrevivência de células cerebrais.


Muitos resultados positivos por meio de psicodélicos já foram demonstrados na literatura científica. Destaque para uma significativa melhora de sintomas sem efeitos adversos graves nem dependência química.


Em um estudo inicial, o MDMA se mostrou eficaz no tratamento para TEPT grave, em combinação com a psicoterapia. Em outro estudo, a psilocibina foi capaz de reverter sintomas de depressão.


Uso não é legalizado


Assim como as demais medicações em estudo e consideradas novas, o uso de drogas psicodélicas (no futuro) só deve ocorrer com supervisão de equipe especializada e em local que possibilite monitoramento do paciente, para evitar complicações de efeitos adversos graves.


IMPORTANTE: A administração dessas substâncias psicodélicas ainda não é legalizada e regulamentada na medicina brasileira. O uso atual como terapia é restrito às pesquisas.


Mesmo sendo potenciais medicações psiquiátricas, seus efeitos são vistos em pacientes com alterações neurobiológicas supervisionadas por médicos. Indivíduos sem avaliação adequada e em uso dessas substâncias podem desenvolver transtornos mentais graves.


Para saber mais sobre terapias regulamentadas para transtornos mentais, informe-se diretamente com seu médico.



Roberto Alves

Médico Psiquiatra

CRM-SC 19.746 | RQE 17.272


Colaboração: Maria Eduarda Mendes Botelho

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