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  • Dr. Gustavo Feier

"Eletrochoque" sem mitos: o que é a Eletroconvulsoterapia (ECT)?

Popularmente conhecida como "eletrochoque", a terapia psiquiátrica Eletroconvulsoterapia (ECT) ganha o imaginário popular com mitos e informações ultrapassadas sobre efeitos colaterais. Por isso, é importante conhecer o que de fato é a ECT, como ela funciona e quais suas indicações e contraindicações.



O que é o "eletrochoque"?


A Eletroconvulsoterapia (ECT), também chamada de "Terapia Eletroconvulsiva", ficou popularmente conhecida como "eletrochoque", pois funciona por meio da produção de uma convulsão controlada que acontece pela passagem de uma corrente elétrica no cérebro do(a) paciente.


No entanto, a ECT é um tratamento psiquiátrico moderno com muitos estudos científicos sérios a respeito. Ela atualmente é utilizada para tratar muitos transtornos, tais como bipolaridade, esquizofrenia, catatonia, mas sua indicação principal é para depressão grave.


Por que as pessoas têm medo da ECT?


A ECT é um dos procedimentos mais antigos da psiquiatria e passou por várias fases de desenvolvimento até que a medicina pudesse compreender melhor seus efeitos positivos. Durante este tempo, os efeitos colaterais ajudaram a criar um estigma popular, passando a ser chamada grosseiramente de "eletrochoque".


Há séculos, foi observado que pacientes com transtornos psiquiátricos, após uma convulsão espontânea, tinham melhora clínica de seus sintomas. A partir disso, médicos utilizavam substâncias para induzir a convulsão. Na década de 1930, psiquiatras começaram a utilizar as descargas elétricas como terapia para esquizofrenia e, em poucos anos, a técnica se popularizou por todo o planeta.


Inicialmente, anestésicos e relaxantes musculares não eram utilizados adequadamente e, associados à falta de padrões para o procedimento, muitos pacientes tiveram efeitos colaterais físicos e cognitivos graves. Entretanto, em poucas décadas houve muito avanço nesse processo, e essas complicações deixaram de acontecer.


A ECT hoje é um procedimento seguro?


Sim. Pelos efeitos adversos que aconteciam no início, a ECT acabou tendo seu uso diminuído por um período, mas voltou a se popularizar nos anos de 1980, pela percepção pública da limitação da farmacoterapia em transtornos mentais resistentes e o benefício da ECT para esses quadros.


Hoje a ECT é realizada sob consenso internacional. É indispensável a avaliação especializada no pré-procedimento, entendendo a história do transtorno do(a) paciente e todos os aspectos importantes para a execução da técnica. Durante, é supervisionado por uma equipe para monitorar a anestesia, o relaxante muscular e a própria descarga elétrica.


Mesmo com sua época de rejeição, desde o princípio de seu uso, e com a progressão de estudos e do procedimento, a ECT se mostra potente. Pesquisas mostram que ela é capaz de aumentar a liberação de neurotransmissores, hormônios, ser anticonvulsivante, induzir neurogênese (formação e regeneração de neurônios), regular a atividade metabólica do cérebro e até mesmo as conexões neuronais.


Como qualquer outra terapia, a ECT tem suas indicações, com necessidade de avaliação e de acompanhamento médico por apresentar também contraindicações, complicações e efeitos adversos. Busque um profissional médico capacitado em caso de dúvidas.

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Gustavo Feier

Médico Psiquiatra

CRM-SC 14.317 | RQE 18.994


Colaboração: Maria Eduarda Mendes Botelho

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