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  • Dr. João Luciano de Quevedo

Exames com biomarcadores poderão diagnosticar transtornos mentais

Exames de laboratório que utilizam biomarcadores já conseguem identificar transtornos mentais em pacientes, independentemente da avaliação clínica, porém isso (por enquanto) se restringe apenas às práticas de pesquisa científica, mas já dá esperança para o futuro ainda mais preciso do diagnóstico em saúde mental.



Até então, o único recurso dos médicos para diagnóstico dos transtornos de humor (como depressão e bipolaridade) era a avaliação clínica do paciente, ou seja, aquilo que se pode ver e escutar sobre aquela pessoa.


Em muitas vezes, é solicitada a realização de exames complementares, que são úteis apenas para certificar que os sintomas que os indivíduos apresentam são realmente de origem mental, e não decorrentes de outros sistemas do organismo.


Os exames também têm sido usados para avaliar a possível existência de outras comorbidades, tendo em vista que os transtornos mentais são bastante associados às doenças cardiovasculares, por exemplo. Assim, na prática médica, ainda não há exames específicos para o diagnóstico desses transtornos mentais.


Biomarcadores nas Pesquisas


Entretanto, na esfera da pesquisa, a mudança dessa situação começou a acontecer. Uma equipe norte-americana publicou um estudo na revista Molecular Psychiatry que mostra um exame de sangue capaz de identificar biomarcadores que podem indicar a gravidade da depressão de um paciente, o risco de desenvolver depressão grave e transtorno bipolar no futuro.


Em outras áreas da medicina, como na oncologia e reumatologia, os biomarcadores já são utilizados. Biomarcadores são basicamente substâncias que podem ser detectadas e/ou mensuradas em exames laboratoriais. São usados para direcionar partes importantes na investigação e tratamento de patologias, como para indicar a presença ou o estágio de uma doença ou até mesmo avaliar a resposta de terapias.


A pesquisa em questão analisou por quatro anos os estados de humor de mais de 300 pacientes e a variação dos biomarcadores durante esses períodos. Relacionando com estudos anteriores, a pesquisa validou 26 biomarcadores presentes em indivíduos com depressão e mania. Desses, oito estavam relacionados ao ciclo circadiano (um tipo de “relógio biológico”, que mantém as atividades basais do organismo, como o metabolismo e o sono). Além disso, o estudo avaliou medicações com potencial para o tratamento dos transtornos.


Exames poderão ser futuro do diagnóstico


Mesmo não havendo a disponibilidade de tais exames fora da pesquisa, essas informações trazem expectativas para o futuro da saúde mental. A junção da clínica com a investigação de biomarcadores podem auxiliar em diagnósticos mais rápidos e certeiros, além de permitirem um melhor acompanhamento da eficácia dos medicamentos instituídos.


Enquanto esses exames são aprimorados para serem usados pela população, informações trazidas no artigo podem ser colocadas em prática desde já, como buscar formas de regular o ritmo circadiano, através de atividades físicas, alimentação de qualidade e um bom sono.


Muitas vezes, alcançar tudo isso parece difícil, por isso, é importante não hesitar em encontrar profissionais para dar o amparo necessário. Um profissional capacitado pode auxiliar na melhora da saúde mental de um paciente, sendo ainda a escuta a melhor forma de direcionar o diagnóstico e tratamento necessário.


João Luciano de Quevedo

Médico Psiquiatra - Doutor em Ciências Biológicas

CRM-SC 9.060 | RQE 5.058

Coordenador do Programa de Psiquiatria Translacional e Diretor da Clínica de Depressão Resistente ao Tratamento da Universidade do Texas (UTHealth), EUA.


Colaboração: Maria Eduarda Mendes Botelho

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