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  • Dr. João Luciano de Quevedo

Qualidade do Sono (parte 1) - Para que dormir?

Por que dormimos? Essa pergunta intriga muita gente, especialmente quem acha que isso é perda de tempo. Porém, é evidente que dormir é essencial para termos uma boa qualidade de vida e de saúde mental. Por isso, vamos entender melhor essa engenharia do sono.



O ciclo de atividade e repouso é visto em muitos seres vivos. Por esse evento ser universal entre os animais, o sono é considerado um fenômeno bastante importante, apesar do seu propósito ainda não ser tão claro.


As teorias que buscam explicar sua função, sugerem que o sono é relevante como evento restaurador. Ao acordar de um bom sono, as pessoas se sentem restauradas, mas quando o repouso é insuficiente, há cansaço no outro dia e pior desempenho cognitivo. Além disso, alguns hormônios associados ao crescimento e regeneração celular ficam em maior quantidade durante o sono.


O sono também é um fenômeno depurador, ou seja, ao longo do dia, vários metabólitos (substâncias resultantes do metabolismo) se acumulam no cérebro, e é durante o sono que a eliminação desses resíduos é melhor.


O sono inclusive está relacionado à plasticidade cerebral, isto é, o sono parece promover a formação e a manutenção das sinapses (a transmissão de impulsos nervosos que realiza as comunicações no cérebro).


Dormir não é um processo linear e possui duas dimensões, a duração e a profundidade (quantidade e qualidade). Ele é dividido em ciclos, sendo cada um deles composto por estágios e tempos diferentes.


Com o passar da noite, aumenta o tempo de sono REM (do inglês "Rapid Eye Movement", "Movimento Rápido dos Olhos", período em que acontecem os sonhos e quando a atividade muscular está inibida) e o não-REM diminui - início do descanso até o sono profundo, com baixa atividade cerebral e metabólica.


A mudança da arquitetura do sono é frequente na população atual, resultado de múltiplos fatores, incluindo algum transtorno ou doença, como a narcolepsia, apneia, doenças pulmonares, depressão e ansiedade. Além de resultado, pode também ser considerado a causa das mudanças de humor.


Desse modo, seja pela má qualidade, por quantidade insuficiente ou insônia, as alterações no sono podem ser percebidas de diversas formas, tais como cansaço constante, desempenho reduzido, nível de atenção diminuído, irritabilidade e mudança de humor.


Todas essas situações demandam uma avaliação especializada, para que se faça o diagnóstico diferencial e o correto tratamento da condição.


Referências




João Luciano de Quevedo

Médico Psiquiatra - Doutor em Ciências Biológicas

CRM-SC 9.060 | RQE 5.058

Coordenador do Programa de Psiquiatria Translacional e Diretor da Clínica de Depressão Resistente ao Tratamento da Universidade do Texas (UTHealth), EUA.


Colaboração: Maria Eduarda Mendes Botelho

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