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  • Dr. Gustavo Feier

Saúde mental das crianças no retorno às aulas na pandemia

O retorno às aulas durante a pandemia pode impactar na saúde mental das crianças, e alguns sinais de alerta precisam ser observados.



Depois de mais de um ano de pandemia, as escolas estão adotando, desde o início de 2021, modelos para o retorno das aulas presenciais. Com isso, surgem preocupações e também incertezas dos responsáveis.


Até agora, Santa Catarina está entre a maioria dos Estados que adotaram o modelo híbrido de ensino, que permite que os responsáveis escolham se o estudante vai até a instituição para ter atividades (empregando as medidas de segurança necessárias contra o coronavírus da Covid-19) ou se participam de forma remota.


Não é uma decisão simples, porque requer bastante preparo e reflexão. A escolha pode ser mais leve e fácil se houver conhecimento sobre os protocolos de segurança da escola e o cumprimento correto deles. Em casa, ensinar as crianças sobre isso também é bastante importante, mesmo que, segundo estudos, elas tenham papel menos significativo que os adultos na transmissão do vírus.


A falta de interação social parece ser prejudicial às crianças, pois a rotina escolar é fator fundamental para o desenvolvimento cognitivo e emocional delas. Ter contato com outras crianças agrega na autoestima por trazer semelhança. Além disso, os profissionais da educação são preparados para auxiliarem nas atividades, facilitando o entendimento dos pequenos às responsabilidades escolares, bem como identificar sinais de violência, que muitas vezes não são percebidos dentro de casa.


É preciso considerar que a pandemia também afetou as crianças. Grande parte da vida dos pequenos foi mais reclusa, geralmente sem contato com tantas crianças diferentes e sempre na presença dos responsáveis. Podem ter vivido momentos estressantes por culpa dos desafios financeiros dentro de casa e até mesmo por terem perdido pessoas queridas. Por isso, as crianças podem ficar mais sensíveis a essa mudança de rotina, o que pode trazer medo, ansiedade e irritabilidade, principalmente no início, o que dificulta o retorno.


Nesses casos, é importante respeitar esse tempo de adaptação e auxiliar no suporte e segurança, para que não haja prejuízo escolar.


Se a ansiedade, o medo e a irritabilidade persistirem por além do início da mudança de rotina, um profissional de saúde mental pode ser peça ímpar para encontrar caminhos nessa modificação e até mesmo identificar algum tipo de transtorno. Nutrir e cuidar da saúde mental dos pequenos é imprescindível para dar base ao crescimento e desenvolvimento deles.


Gustavo Feier

Médico Psiquiatra

CRM-SC 14.317 | RQE 18.994

Colaboração: Maria Eduarda Mendes Botelho

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