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  • Dr. Roberto Alves de Oliveira

Saúde mental está relacionada à microbiota intestinal

A microbiota intestinal é um conjunto de microrganismos (micróbios) que colonizam o intestino do bebê e que perduram de forma saudável ao longo da vida, mas que, em desequilíbrio, podem alterar o humor do cérebro e até desenvolver transtornos de saúde mental.



O desenvolvimento é como um processo de aprendizado pelo qual os indivíduos adquirem e aprimoram capacidades, desde a cognição e funções motoras, até aquelas não tão fáceis assim de serem observadas, como o sistema imunológico e a colonização de microrganismos.


Como surge a microbiota intestinal?


Os bebês que ainda estão no útero não são colonizados por nenhum tipo de microrganismo. Porém, logo após o parto, ao entrar em contato com a mãe, com a amamentação e com o ambiente, há um fluxo de microrganismos para dentro do intestino do recém-nascido.


Com o passar dos dias, o corpo sadio faz uma seleção de quais microrganismos vão ali habitar de forma benéfica. Esses micróbios que vivem harmoniosamente no intestino humano são denominados microbiota.


No entanto, ao longo da vida, alguns estímulos externos (tais como mudança de alimentação, uso de algumas medicações, infecções e estresse) podem alterar a composição dessa microbiota.


Para que serve a microbiota intestinal?


A microbiota possui inúmeras funções, como controlar a proliferação de bactérias patogênicas, prevenindo infecções do trato gastrointestinal, também estimula o sistema imune, regula absorção de nutrientes e participa da produção de vitaminas, enzimas e fatores de sobrevivência e renovação celular.


Com a observação da associação de doenças gastrointestinais e psiquiátricas, se conheceu a interação entre intestino-microbiota e cérebro, evidenciando mais uma importante função desses microrganismos: a regulação de humor.


A microbiota intestinal afeta a saúde mental?


Quando há desregulação da colonização intestinal (chamada de disbiose), o organismo fica propenso a ter ativação de resposta imune pela passagem de bactérias patológicas pela barreira do intestino e também ativar a via hormonal do estresse.


As substâncias envolvidas na ação imunológica podem chegar até o cérebro e modificar o funcionamento e as estruturas de suas células. Já o estresse pode estimular mecanismos imunológicos e cerebrais que são capazes de modificar a microbiota. Assim, o intestino pode influenciar o cérebro, mas o contrário também é verdadeiro.


Como a psiquiatria lida com a microbiota?


Diversos estudos demonstraram mudanças significativas da composição da microbiota naqueles indivíduos com transtornos de humor quando comparados a pessoas saudáveis, além de aumento de moléculas relacionadas à resposta imune.


Por isso, o eixo intestino-microbiota-cérebro atualmente é discutido como alvo de tratamento de transtornos mentais, seja com estratégias farmacológicas ou de estilo de vida, como ter uma alimentação rica em produtos que mantém a flora intestinal saudável e praticar atividade física como auxílio no estresse e prevenção de doenças que ativam a resposta imune.


Buscar profissionais especializados é sempre indicado para auxiliar nesse processo.


Referências científicas



Roberto Alves

Médico Psiquiatra

CRM-SC 19.746 | RQE 17.272


Colaboração: Maria Eduarda Mendes Botelho

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