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  • Dr. Gustavo Feier

O transtorno de escoriação "skin picking"

Ter a pele com lesões pelo hábito de espremer, coçar, esfregar, beliscar, arranhar, furar ou ações parecidas, pode ser indicativo de um transtorno mental, o transtorno de escoriação (do inglês skin-picking), denominado também por dermatotilexomania, acne escoriada, escoriação psicogênica, neurodermatite e escoriação neurótica.



O dano na pele não é sozinho o único critério diagnóstico da neurodermatite. O comportamento deve ser recorrente e impulsivo, inclusive com história de tentativas de parar ou reduzir o ato, além de causar algum tipo de prejuízo a quem pratica, como se privar de eventos por vergonha dos ferimentos na pele.


É um transtorno mais comum em mulheres e seu início varia entre 15 e 45 anos, principalmente no início da segunda década de vida. Geralmente, os indivíduos usam de dedos e unhas, mas podem também utilizar de objetos como pinças e agulhas.


Os locais mais acometidos são a face, couro cabeludo e cutículas, mas podem estar distribuídas em qualquer local do corpo, principalmente onde há alcance das mãos.


Artigo relacionado: “Skin picking”: o Transtorno de Escoriação (InJQ - jun./2019)


Sua patogênese não é conhecida, mas os indivíduos diagnosticados relatam sensação de alívio de ansiedade, busca por melhorar a aparência ou simplesmente por prazer.


O transtorno de escoriação pode também estar associado a outras comorbidades, como a depressão, bipolaridade, TOC, dependência de álcool ou substâncias, bem como ser característica de algum distúrbio ou síndrome, como a de Prader Willi.


Seu diagnóstico é complexo e precisa descartar outras causas, como distúrbios cutâneos (a exemplo de dermatite atópica, sarna e psoríase), sistêmicos e psicológicos.


O tratamento costuma ser multiprofissional, com o cuidado das lesões existentes em conjunto com terapias farmacológicas e não farmacológicas para reconhecimento e controle do comportamento autolesivo.


Referências


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Gustavo Feier

Médico Psiquiatra

CRM-SC 14.317 | RQE 18.994


Colaboração: Maria Eduarda Mendes Botelho

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