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  • Dr.ª Julia Pizzolatti Pieri

Qual a importância de aderir ao tratamento medicamentoso?

Especialmente na pandemia, entenda por que é fundamental que os pacientes com transtornos psiquiátricos que fazem tratamento medicamentoso indicado por profissional médico mantenham a adesão ao tratamento pelo período estabelecido.



Cenário pandêmico


Antes da pandemia de Covid-19, o Brasil já era considerado o país mais ansioso do mundo e o segundo das Américas com maior prevalência de depressão. O ranking, que já não era vantajoso, parece que piorou com o cenário atual.


O momento traz obstáculos para o enfrentamento dos transtornos psiquiátricos, como a falta de contato social e distanciamento de redes de apoio, queda da frequência de atividades físicas ao ar livre e exposição solar, além de preocupações relacionadas à saúde e às finanças.


Essas mudanças interferem diretamente na saúde mental da população, já que são consideradas pela ciência como fatores que previnem o desenvolvimento de doenças e transtornos, bem como peças que colaboram na melhoria daqueles que já existem.


Dessa forma, os psicofármacos tomam um local de ainda mais importância, pois são parte da terapêutica que é menos prejudicada por esse contexto.


Evolução dos medicamentos


Nas últimas décadas, os tratamentos para os transtornos mentais evoluíram significativamente.


Os antidepressivos, por exemplo, até os anos de 1980 eram representados por somente duas classes medicamentosas: os tricíclicos e os inibidores de monoaminoxidase, mas atualmente existem fármacos de diversas outras classes.


Dentre eles, estão os inibidores seletivos da recaptação de serotonina, de noradrenalina, de dopamina e a cetamina.


Tratamento continuado


Independentemente de como agem essas diferentes medicações, todas elas têm um fato em comum: a necessidade da adesão ao tratamento para que façam o efeito esperado.


Embora adesão tenha diferentes definições na literatura, por ter múltiplos fatores envolvidos (o que dificulta uma única mensuração), podemos caracterizá-la como: o uso adequado de um fármaco ou procedimento prescrito, se atendo aos horários, doses e tempo de tratamento.


A resposta de um psicofármaco pode levar de dias a semanas para aparecer. Por isso, é imprescindível que o paciente continue o tratamento dado pelo profissional da forma e pelo período adequado até a reavaliação. A continuidade da terapia também é importante, visto que a não-adesão está intimamente relacionada ao agravamento dos transtornos mentais, como também ao risco de recaída.


Assim, quando houver o diagnóstico psiquiátrico, busque conhecer seu transtorno e a importância de adequar seu tratamento. Quando possível, também faça as demais medidas que agregam para uma melhor resposta, como as mudanças de hábito e a interação com um grupo social.


Tenha sempre um profissional capacitado para auxiliar nessa caminhada. Cuide de sua saúde.


Julia Pizzolatti Pieri

Médica Psiquiatra

CRM-SC 22.561 | RQE 18.739

Colaboração: Maria Eduarda Mendes Botelho

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